ESPANTO, PASMO & ESTUPIDEZ TRANSCENDENTAL (ENTREVISTA PAULO BORGES PARTE 1)

 CINE-DIÁRIO D’O ESPECTADOR ESPANTADO 09383-2014 – FOTOS 3D ANAGLÍFICAS

EDGAR PÊRA – Então eu ia começar com uma coisa muito simples que tem a ver com a tua memória. Lembras-te do primeiro filme que viste numa sala de cinema? BORGES_ANAGLIF1

PAULO BORGES – Isso é complicado…Eu acho que comecei a ver filmes muito cedo, filmes de muita má qualidade. Eram Westerns feitos em Itália, filmes sobre guerras, romanos, enfim eram filmes de que eu gostava na altura. Não te sei dizer qual foi o primeiro filme. Lembro-me que o primeiro que vi várias vezes seguidas foi um filme que me impressionou na altura, foi o Ben Hur. Sempre gostei muito de épicos e também filmes com peles-vermelhas –  um povo com o qual me identifiquei desde a infância – , mas não te sei dizer qual foi o primeiro filme, não sei. 

BORGES_ANAGLIF19EP –  O que é que te espantava mais nessa altura, quando eras criança? O que é que te atraía?

PAULO BORGES –  O que me atraía era a possibilidade de encontrar…e penso que encontrei isso primeiro de tudo no Cinema – foi a primeira Arte que me levou a ver isso – foi a possibilidade de encontrar uma experiência da vida muito mais intensa do que a que eu encontrava na vida convencional, na dita vida real. Eu lembro-me de vários filmes, que vi aí com os meus seis, sete ou oito anos num estado de profunda exaltação, com uma percepção transfigurada do mundo, com um sentimento de uma intensificação da vida que eu não tinha se não os tivesse visto e que tinha ainda algum tempo depois de os ver. A primeira coisa que me espantou foi a possibilidade da Arte conduzir a uma transfiguração da vida, a um sentimento de uma maior intensidade da vida. 

EP – Mas tu vês isso como uma janela para o conhecimento ou como uma janela para a imaginação?

PAULO BORGES – Eu penso que é um conhecimento por via da imaginação, talvez  isso já tenha a ver com uma reflexão mais posterior. Eu penso que o que me espantou depois quando comecei a reflectir sobre essas experiências, e o que me espanta ainda hoje, é a possibilidade que a ficção, a fantasia, a imaginação têm de transfigurar a percepção do real. De nos fazer sair de uma percepção banalizada das coisas e de nos levar a uma percepção de uma realidade muito mais intensa, muito mais profunda – uma sobre-realidade que nada ou pouco tem a ver com a realidade em que habitualmente nos sentimos imergidos. 

EP – Então tu concordas um pouco quando dizem que qualquer filme, qualquer Cinema, tem sempre algo de surrealista?

PAULO BORGES – Sim. Nunca tinha pensado muito sobre isso, mas imediatamente diria que sim. 

BORGES_ANAGLIF16EP – E quando chegaste à adolescência o que é que te espantava nessa altura?

PAULO BORGES – Na adolescência continuei a sentir uma forte atracção pelos épicos, por filmes dramáticos, sobretudo filmes com finais que não fossem propriamente felizes, com finais trágicos. Comecei a sentir também uma grande atracção por filmes que despertassem em mim um sentimento de revolta contra injustiças de todo o tipo, não só sociais. E sentia que os meus sentimentos éticos saíam  reforçados e exaltados depois do visionamento de certos filmes. Isso muitas vezes  espantava-me porque perdurava durante dias, meses e até se tornava uma parte integrante da minha vida, da minha consciência da vida e do seu sentido. 

BORGES_ANAGLIF12EP – A tua adolescência também coincidiu com o 25 de Abril, com esse período. Isso também te fez descobrir outros tipos de realidades através do Cinema? Como é que foi a tua relação com o 25 de Abril e o Cinema?

PAULO BORGES –  Bom, nunca tinha pensado muito sobre isso. O 25 de Abril foi para mim um despertar, foi a primeira grande experiência do despertar, sobretudo num sentido social. Mas já antes do 25 de Abril eu tinha tido algo semelhante… penso que bastante despoletado pelo Cinema, sobretudo pelos filmes que retratavam, enfim, os conflitos entre os peles-vermelhas e os cowboys e os soldados norte-americanos… Isso já havia despertado em mim um sentimento de revolta contra o massacre daquela população indígena pelos colonos norte-americanos. Recordo-me que certamente a primeira publicação que fiz foi um jornal que escrevia à mão e que depois colocava nas caixas de correio dos vizinhos dos meus pais: era um jornal do movimento de libertação dos peles vermelhas que criei ainda na infância. Isso era muito animado pelos filmes; eu ficava extremamente excitado quando sabia que ia passar um filme onde via índios. Depois, com o 25 de Abril, esse sentimento de revolta contra a injustiça, contra a violência, contra a exploração tornou-se mais abrangente, enfim… Tive uma formação libertária: tinha 14 anos no 25 de Abril e passei a apreciar filmes que me alimentassem esse meu grande desejo de revolta, de insurreição contra a ordem social do momento. 

BORGES_ANAGLIF15EP –  E mais tarde, quando o resultado do situacionismo, o movimento punk, eras portanto um bocado mais velho. Havia algum tipo de cinema onde tu te projectasses?

PAULO BORGES – É difícil responder, eu não tenho muita memória cinéfila. Há filmes que me marcam muito, mas depois, imediatamente, é difícil identificá-los. 

EP –  Mas procuravas alguma coisa do género que havia no movimento punk, o faça você mesmo, não é… Esse tipo de…

PAULO BORGES – Penso que na altura talvez não tenha procurado tanto isso no cinema, mas mais na música. A minha experiência passou por isso… criar uma banda, uma banda punk, onde nós mesmos sem sabermos tocar nada pudéssemos de repente tocar e dar concertos… Mas sinceramente em relação ao cinema não me ocorre nenhuma referência especial neste momento. 

EP – Portanto foste para a faculdade e, a partir do momento em que chegaste a uma certa idade adulta, a tua relação com o cinema mudou de alguma forma?

PAULO BORGES – Penso que aprendi a apreciar filmes não necessariamente tão dramáticos, trágicos, intensos, não só épicos, mas também filmes mais intimistas, mais voltados para a exploração dos labirintos psicológicos e também mais estáticos. Aprendi também a gostar muito do Manoel de Oliveira, por exemplo. Mas recordo-me que, ainda na sequência daqueles filmes que me emocionavam muito, houve um que me tocou bastante ao ponto de ter saído de lá num estado quase alterado de consciência, foi o Dancer in the Dark do Lars Von Trier. É um tipo de filme que de facto me afectou bastante.

EP – Mas mais uma vez é um martírio…

PAULO BORGES – Sim, sim, é verdade. Por isso é que eu disse que é mais na linha daquilo que me tocava praticamente desde a infância. Mas claro que hoje acho que aprecio filmes muito diferentes entre si. Filmes também mais contemplativos como Primavera, Verão, Outono, Inverno, filmes lentos, filmes teatrais. Mas continuo a apreciar os grandes épicos também. Portanto hoje tenho um gosto mais diversificado em termos de cinema.

EP –  Foste ver o Noé?

PAULO BORGES – Fui ver, fui ver o Noé.

vlcsnap-2015-10-19-19h06m59s131EP – Então e o que é que para ti a palavra espanto te diz hoje?

PAULO BORGES – Bom, eu tenho uma formação filosófica e  portanto imediatamente recordo o que diz Platão, o que diz Aristóteles, no sentido do espanto ser a origem da Filosofia. Aristóteles acrescenta alguma coisa, diz que há dois espantos: um espanto inicial que é o espanto da ignorância, o do desconhecimento das causas das coisas e depois isso conduz à busca do conhecimento e, obtido o conhecimento acerca da causa das coisas, surge um espanto superior que é o espanto inerente ao próprio conhecimento. Agora, eu hoje, enfim, já estive mais perto dessa tese e hoje sou um bocadinho mais céptico em relação à própria filosofia. Estou mais perto de uma tese, como por exemplo de uma pensadora andaluza do século XX, María Zambrano, que no livro ‘Poesia e Filosofia’ diz que no fundo a filosofia de facto nasceu do espanto, mas de uma espécie de recusa do espanto, de uma violência contra a experiência original do ser humano ou da consciência. Nesse espanto, o maravilhamento perante o simples estar-aí das coisas, a imediata presença sensível das coisas do mundo, ainda fica o poeta e o artista em geral, ao passo que o filósofo como que não suporta esse espanto e violentamente arranca-se a essa experiência para objectivar, olhar para o mundo de uma forma distanciada e tentar conhecê-lo num plano conceptual/categorial, num plano do pensamento. Hoje estou mais perto dessa tese. 

BORGES_ANAGLIF18Por outro lado, o espanto, que vem do grego THAUMAS que também significa maravilhamento, o espanto mais profundo que hoje vivo e que foi alguma coisa que também sinto que descobri desde a infância, é o espanto perante o haver realidade/o estarmos aqui. Perante a existência das coisas, perante a minha própria existência, perante o haver alguma coisa e não haver o nada, que alguns filósofos, Leibniz e Heidegger, dizem que no fundo é a questão fundamental da metafísica: ‘porque é que há alguma coisa e não o nada?’. Esse espanto perante haver alguma coisa, haver realidade… Aqui talvez possa fazer outra confissão, um pouco memorial e autobiográfica: nessa mesma fase, entre os 8 e os 10 anos, em que fui tão tocado pelo cinema, pelos épicos, pelos filmes sobre os índios, também descobri em mim uma inquietação profunda quando me confrontava com esse espanto de haver vida, de haver coisas, de existir. Era uma experiência que eu sentia que, se aprofundasse muito esse sentimento de estar confrontado com alguma coisa que não conseguia explicar de modo algum, me podia levar a uma espécie de colapso mental e até à loucura, isto desde muito cedo, talvez aos oito anos. Um belo dia de repente partilhei isto com um amigo de infância, de brincadeiras de rua, o Fernando Neves – aproveito para o homenagear – e que me confidenciou que sentia o mesmo; eu pensava que era uma coisa completamente única e que não conseguia partilhar com ninguém e de repente senti-me compreendido e descobri que alguém tinha a mesma experiência que eu. Esse rapaz nem era sequer uma pessoa inclinada para questões intelectuais, era uma pessoa que gostava de jogar à bola como eu na rua; depois na adolescência acabou por ter alguns problemas  e suicidou-se à segunda tentativa, mandando-se de uma janela abaixo… Mas voltando à questão do espanto – esse é o espanto que hoje mais me perturba. O espanto que mais me perturba é esse espanto de estarmos aqui, de haver alguma coisa e não o nada,  esse espanto que encontro também no Álvaro de Campos – num poema sobre o qual até recentemente escrevi sobre o que eu chamo ‘mistério ontológico’, o ‘mistério de haver ser’. Agora esse espanto não é necessariamente uma coisa apenas ou só gratificante, penso que o espanto por vezes também tem algo terrível, tem um assombro que pode ser aterrador; por vezes podemo-nos sentir abismados e completamente sufocados por esse sentimento de incompreensibilidade de estarmos aqui. Se existe alguma coisa que prezo muito na literatura do Vergílio Ferreira é a sensação disso. É uma experiência fundamental à qual regresso muitas vezes na minha vida.

BORGES_ANAGLIF20EP – Então aproximas-te também dessa noção do latim de espanto, de espantar mais nesse sentido…

PAULO BORGES – Sim, de facto, penso que o espanto espanta e até pode ser aterrador. O que o espanto espanta é também a banalização da vida: o espanto desorbita-nos de uma percepção, digamos, fria ou morna e indiferente do mundo. O espanto confronta-nos com as raízes inerentes à vida e, enfim, com o mistério da existência. Penso que a civilização, sobretudo a civilização ocidental e a própria filosofia, contribuiu muito para isso, para uma dessacralização e enfraquecimento da experiência do mundo: a filosofia de matriz socrática, platónica, aristotélica e tudo o que veio a seguir. A Filosofia tentou anestesiar o homem em relação ao mistério da existência, investindo no conhecimento, obviamente numa deriva científica e depois tecnológica do pensamento, e com isso penso que perdemos todos a capacidade de nos admirarmos, mas também nos aterrarmos, perante a imensidade/grandeza da vida que hoje trocamos por representações conceptuais. Nós hoje, em vez de termos um contacto directo com a energia, com a potência das coisas, temos mais uma relação mediada pelos conceitos, pela informação, pela cultura e a meu ver isso é fruto de uma civilização em franco declínio. (…). Quando vinha para cá, vinha a pensar que o espanto pode ter alguma coisa a ver com a etimologia de estupidez, no sentido de aquilo que nos deixa atónitos/estúpidos, quando de algum modo as nossas faculdades ficam suspensas numa outra ordem de experiência que não é tocada pelo pensamento conceptual/discursivo.

EP – Pasmados.

PAULO BORGES – Pasmados, pronto, exactamente, é esse pasmo fundamental. A esse respeito lembro-me de um poeta que também pensei/estudei, o Teixeira de Pascoaes, que valorizava muito a experiência da estupidez transcendente, alternativa à estupidez vulgar dos eruditos, dos sábios, que leram muitas coisas, mas que perdem a capacidade que tem a criança, ou o chamado louco ou ingénuo, de se pasmar perante o espetáculo do mundo. Penso que é um pouco isso que eu ainda hoje procuro, ou que penso que procuramos na arte e particularmente no cinema, que é regressarmos a essa experiência de nos sentirmos atónitos perante alguma coisa, sem palavras e sem a possibilidade de traduzirmos para palavras aquilo que estamos a sentir.

BORGES_ANAGLIF21EP –  Existe um autor que eu comecei a gostar em puto mas que ainda hoje me fascina  que é o Lovecraft, que tem essa perspectiva da realidade como algo assombroso e do nada que é o ser humano dentro do Cosmos. Até porque ele tem aquela impressão que essas entidades estão sempre além do bem e do mal dentro da nossa concepção e é sempre um espanto aterrador.

PAULO BORGES – Isso está-me a lembrar outra coisa: a minha experiência do espanto também tem muito a ver com alguma coisa a que eu chamo “estranheza”. Esse espanto perante a realidade, perante estarmos aqui, é também ao mesmo tempo um estranhamento, como se a realidade fosse estranha e o haver realidade fosse estranho. Como se nós na verdade não pertencêssemos plenamente a isto a que chamamos mundo. Isto hoje, enfim, com as minhas pesquisas filosóficas, sinto que é uma forte costela que há em mim, uma vertente gnóstica: aquela experiência de ser no fundo um alien, de estar aqui caído não sabe bem de onde, estar aqui, como diz o Heidegger, projectado, abandonado na existência, no mundo que nos é estranho e ao qual nós nos sentimos estranhos como se viéssemos de um outro lado qualquer. Talvez desse outro lado qualquer em que habitam as personagens de Lovecraft e de outros autores, será como tu dizias: são personagens e, mais que personagens, são forças, são potências para além do bem e do mal e para além dos conceitos e das dicotomias humanas e de tudo aquilo que a cultura e civilização humana tentam domesticar nas dimensões mais profundas da realidade. Portanto o espanto, na sua dimensão menos cor-de-rosa, mais tenebrosa, mais abissal, também é isso; também tem a ver, não só com esse terror, mas também com a estranheza fundamental, estranheza de haver isto, de estarmos aqui.

EP –  Astonishment.

PAULO BORGES – Astonishment, exactamente.

BORGES_ANAGLIF11Sinto-me nascido a cada instante para a eterna novidade do mundo

EP – Outro conceito que eu acho que anda sempre a par e passo desta conversa é a novidade. E acho que se pode detectar muito da personalidade ou modalidade das pessoas a partir da forma como reagem à novidade. Como é que tu – nós vivemos numa época que a novidade é experienciada ou pelo menos aparentemente – encaras  a novidade?

PAULO BORGES – Bom, eu quando penso a novidade lembro-me sempre daqueles versos do Alberto Caeiro – “Sinto-me nascido a cada instante para a eterna novidade do mundo” – ,  penso que essa é a verdadeira novidade. Não tem tanto a ver com este frenesim em que procuramos produzir coisas novas e ter experiências novas e não depende de acontecer alguma coisa de diferente daquilo que está a acontecer, mas tem mais a ver com a capacidade de sentir, experimentar e percepcionar de um modo diferente aquilo que está sempre presente. Penso que essa é a grande novidade. No fundo, tudo é constantemente novo, só que os nossos esquemas mentais não nos deixam percepcionar isso; e daí o sentimento crescente de tédio e aborrecimento que se tornou uma característica da civilização moderna e contemporânea. Nós procuramos sempre coisas interessantes como uma espécie de fuga constante ao tédio que sentimos e que nos persegue constantemente. Temos uma necessidade compulsiva de procurar coisas novas, quando na verdade, se olhássemos bem para o mundo à nossa volta e para nós próprios, veríamos que nós e tudo somos constantemente diferentes, somos constantemente novos, somos constantemente outros. Não há nada que se repita um único instante, tudo é sempre outro. Se tivermos a capacidade de contemplar essa mudança, isso que também na minha formação budista se chama a Impermanência, penso que teremos abundante material para nos sentirmos espantados/pasmados a cada instante, mas uma sociedade que não se consegue pasmar a cada instante é também uma sociedade que vive ávida de novidades e que acaba por se precipitar num consumo de novidades bastante medíocres e muito pouco novas, não é? Exactamente porque todos as procuram e são suscitadas artificialmente num aproveitamento comercial.

EP – Eu gosto destas novidades pouco novas mas é isso mesmo, não é? São muito pouco novas essas novidades…

PAULO BORGES – Sim, sobretudo esta busca de constante novidade não é algo de novo, não é? É algo perfeitamente banal.

BORGES_ANAGLIF22EP –  Agora falando de novidades, já viste alguns filmes 3D?

PAULO BORGES – Sim, alguns.

EP – Houve alguma coisa que, não diria que achasses revolucionária, mas que de alguma forma te deu a entender a imagem de uma forma diferente?

PAULO BORGES – Nos filmes 3D?

EP – Sim.

PAULO BORGES – Eu não tinha pensado muito sobre isso. Eu penso que essa… quer dizer o que eu tenho visto nos filmes 3D e também o que eu tenho visto nesta proliferação de efeitos especiais em Cinema – que no meu ver o empobrece bastante – não é algo muito novo em relação àquilo que eu desde muito novo me habituei a fazer, que é imaginar. Talvez por ter sido filho único durante muito tempo e por ter passado bastante tempo solitariamente. Habituei-me muito a imaginar e imaginei sempre em 3 Dimensões, portanto, nesse sentido talvez não tenha encontrado nada de tão novo nessa nova tecnologia cinematográfica… Vivo muito imaginativamente.

EP – Eu estava a dizer mais num sentido em que não acredito que o 3D acrescente realidade. Acho que acrescenta uma nova percepção, mas cria espaços vazios entre as imagens – dentro da própria imagem – (que faz lembrar o conceito de éter, do século XIX) ou seja, aquilo em que está em primeiro plano, o que está a meio e o que está à frente do ecrã, e o que está para trás. Mas depois há espaços que não estão preenchidos. Enquanto que na imagem dita tradicional está tudo concentrado numa só coisa, isto é um bocado como recortes, digamos assim como aqueles livros de pop-up que saem cá para fora para as crianças. Para mim é quase um aumentar da artificialidade. Não olho para uma janela olho muito mais, assim como olho para o Cinema como mais que uma tela, que uma janela, vejo no 3D uma espécie de aquário sem água.

PAULO BORGES – Sim, sim. Isso é interessante, acho que estou de acordo contigo.

(CONTINUA)

BORGES_ANAGLIF13

©Edgar Pêra Produção Bando À Parte

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